sexta-feira, 4 de setembro de 2009

APARELHAGEM: O FUTURO DO ROCK PARAENSE


Durante muito tempo, fiquei maturando esse texto; conversando com várias pessoas do universo roqueiro de Belém sobre assunto (jornalistas, produtores e, sobretudo, as bandas). Mas agora decidi escrever sobre o que anda me impressionando profundamente.

Desde que cheguei em Belém, em 1994, fui pela primeira vez numa festa de Aparelhagem, e fiquei impressionado com a quantidade de pessoas se divertindo, e com a estrutura dos DJs. Antes de qualquer tipo de "hype".

Podemos falar que a música é de péssima categoria, ou algo parecido (por uma questão de gosto); mas os caras sabem o que é DIVERSÃO. E por que não juntar os públicos: o roqueiro com o da aparelhagem?

Não sei se algumas perceberam, mas o atual hit da Pitty é um "bregão gostoso de se dançar", a música "Me Adora"? Sinceramente, está faltando para as bandas de rock de Belém tirarem um pouco dessa couraça (banger, punk, etc). Isso já passou há muito tempo.

Não estou levantando qualquer tipo de bandeira, contra ou a favor de qualquer facção. Mas por que não, se divertir também, e fazer versões para as aparelhagens dos sucessos roqueiros da cidade? Apenas por diversão, e acabar com essa pedância. Outra coisa, "os bregueiros" fazem algo sem perceber, eles praticam o maior de todos lemas do PUNK: "DO IT YOURSELF" ("FAÇA VOCÊ MESMO").

"Os bregueiros da cidade" há muito tempo também já se alertaram para o melhor tipo de termômetro comercial que tem em Belém, o universo dos camelôs. Está na hora das bandas daqui se alertarem e fazer acordos com essa galera. Porque ficar esperando por Lei de Incentivo, ou algo parecido....Sinto muito, mas às vezes, demora demais.

Só mais um detalhe: No próximo domingo - 06/09), estreará o programa "Aparelhagem Brasil", na rádio Tabajara FM (http://www.radiotabajarafm.com.br/), das 21 às 23h, e eu e o apresentador Marcelo Souza estaremos no comando. Conteúdo do programa?.......... SURPRESA.


"That's All Folks. E até a próxima"

8 comentários:

Hugo Cézar disse...

Muito bom o texto Sidão, essa reflexão tem que ser constante nas mesas que debatem o presente e o futuro da cena roqueira paraense (por que não da cena musical como um todo).
Afinal de contas, gostando ou não, não se pode negar que as aparelhagens já passaram de "onda" há muito tempo e é bom seguir bons exemplos (ou melhor, os que dão certo).

Rodrigo Moreno disse...

Ir pra aparelhagem?? Nem que eu tivesse doido, num é nem pela música (que é uma merda mesmo), mas é porque só dá pipira naquela porra.

Michelli Byanka disse...

acho poucas bandas daqui, como a la pupuña com o projeto caboclássicos, exploram esse oásis do brega. com boas idéias e bons arranjos dá pra fazer uma história legal sim!

Antonio disse...

Falou tudo Sidão!

Anônimo disse...

é bem por aí mesmo, essa troca de figurinhas só não é mais explorada porque as "eminências pardas" do rock paraense são paternalistas e preconceituosas, além de nunca gostarem de ouvir críticas, por isso que até hoje é dificil ganhar dinheiro com rock em belém.

Didi Fadul disse...

A gente já conversou sobre isso no MSN, né.

É até engraçado. Se olharmos as frentes de trabalho do mundo independente e autoral, encontramos diversas faces aqui em Belém, como o povo do regue, hip hop, technobrega, mpp, rock, metal e hc (eu acho apartados os 3 sim).

E há um abismo entre estes grupos todos. Já pensou um evento, ou uma coletânea, ou um doc ou coisa do tipo integrando o que dá pra chamar de produção da nova cultura paraense?

Chamando assim de "paraense" só pelo fato de ser feita no pará, mas restringindo a trabalhos unicamente autorais.

Morro de vontade de formar uma banda de hip hop. Fazer umas bases com banda mesmo e deixar rappers metendo ficha no ritmo e poesia.

Na verdade, por mim, eu me misturava em tudo logo. hehe.

Abração.

1% disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

HUm! foi minha primeira impressão quando lí isto... bom, cultura underground massificada? tenho meus contras. imagine uma ilha deserta,linda, intocada, que só um pequeno grupo conhece, perfeita. agora divulge, atraia, coloque uma porção lá! ok: "imagine uma ilha deserta,linda, intocada", cheia de gente. perdeu ou não a graça? vejo a 'música do sub-mundo' meio assim, é pra ser como está, intocada, linda e restrita. nada contra a música para divertir, ou evoluir dentro da massa, mas, convenhamos, isto para na diversão. sei lá, gosto muito (apesar do pouco conhecimento) de música para simplesmente ouvir, beber e sorrir. ficaria muito grato por dar de ouvidos com sleepytime gorilla museum na rádio, mas não na versão calypso...

noisejazz@gmail.com