sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Entrevista Especial: Adreana Oliveira (Drica) - A jornalista mais Rock'n'Roll do Brasil





Falar da história da jornalista mineira Adreana Oliveira é falar de muito Rock'n'Roll, principalmente no que diz respeito ao rock independente nacional e internacional. Conheça agora o que pensa Drica, como também sobre os trabalhos dela na coluna Novo Som (Correio de Uberlândia) e agora no programa Clip 15.



Como começou o teu interesse pela música, principalmente a música Pop e o Rock?

Eu cresci sem nenhuma referência pop ou rock em casa, então, estava entregue ao que aparecia na TV aberta, e acredite, rádio AM. Precisa ver minha felicidade quando uma vizinha descobriu o FM. O rádio fez parte da minha formação porque MTV aqui [em Uberlândia] é só via TV a cabo e este é um luxo que eu me dei há pouco tempo.
Na adolescência, nos anos 90, eu comecei a freqüentar a cena mais metal da cidade. Consegue imaginar uma pessoa que ouvia New Kids on the Block, Madonna, Sex Pistols, Bon Jovi, Sepultura e Napalm Death na mesma fita no walkman? That´s me...

Como eu não saia muito de casa à noite, por conta de um pai muito rígido, minhas tardes na “Praça da Bicota”, na “Praça da Biblioteca” ou na escola Américo Renê Giannetti, onde fiz o colegial, foram minha “salvação”. Nesta época, os punks e os headbangers freqüentavam as mesmas paradas e fiz muitos amigos. Aderir a um estilo ou outro eu nunca aderi por completo, o legal era conseguir pegar um pouco de cada.
Na falta de lugar para tocar, e na falta de um lugar para menores de idade freqüentar, tinha uma turma que costumava fazer festas na casa de alguém do grupo. Todo mundo era muito “true” e tocava som próprio [cara, muito bom lembrar disso, obrigada]. E foi nesse meio, com bandas como o Beyoud the Sanity, que tocava metal, e Sub Underground, que tocava punk, que eu ouvi Nirvana pela primeira vez [em um ensaio da Sub Underground na oficina da casa do baixista, o Diney, a música era ‘Floyd, the Barber’]. Foi com essas pessoas que compartilhei a paixão pelo Pearl Jam, que descobri o Melvins, Helmet, que cheguei ao Radiohead.

Também foi ai que montei minha primeira banda, Adrede [Eu, Dyoran, Daniel, Paulo e mais tarde o Simar]. Eu tocava guitarra, na verdade, aprendi três acordes...a gente ensaiava muito e não tocava nada. Mas os ensaios eram muito divertidos. A gente compartilhava com as partidas de basquete de rua e futebol americano nas ruas do bairro Planalto. Em toda a nossa “existência” teve um único show...e eu não fui!! Mas, o único registro em fita K7 que temos ficou comigo [olha a vingança].


Quais e como foram as tuas primeiras experiências ligadas ao jornalismo musical? E quais foram os melhores momentos?

Começou ainda no colegial. Colaborava com fanzines. Minha primeira “credencial” eu tenho até hoje. É um pedaço de papel plastificado com “Drica – fotógrafa”, impresso nele. Sempre gostei muito de escrever. Apesar de hoje estar em um cargo de editoria continuo redigindo porque serei sempre apaixonada pela reportagem. Gosto de fazer entrevistas, de entender – ou não – o processo de criação dos músicos.
Quando decidi pelo Jornalismo eu queria ser capaz de fazer algo pelo que me despertou paixão e o rock fez isso. Por mais que eu – ainda – não trabalhe só com isso, a Cultura, em geral, ainda ocupa maior parte do meu tempo e isso é muito bom. Edito o caderno Revista, do jornal Correio de Uberlândia [MG], o único diário da cidade e que já tem 72 anos de tradição.

Pra mim é uma baita responsabilidade e faço o meu melhor, contemplando todas as artes. Ter uma página semanal, a primeira entre os jornais do Brasil, que dá para as bandas independentes o mesmo espaço que tem uma boyband pop que está estourada nas paradas, me enche de orgulho. E isso em uma cidade que não tem tradição no rock e um baixo índice de leitura.

Bandas como Madame Saatan e Vanguart, por exemplo, acredito que tiveram seu primeiro espaço em mídia impressa fora de seus Estados aqui. Tenho muitos momentos marcantes na carreira, como por exemplo, a cobertura do Rock in Rio 3, no qual entrevistei Foo Fighters, Red Hot Chili Peppers, Silverchair, R.E.M., Deftones. As entrevistas com com Page Hamilton (Helmet), Sepultura, Titãs, gente que eu admiro e que antes sequer sonhava em estar perto.

Em 2001 acompanhei, em Goiânia, o primeiro show do Mudhoney no Brasil. A produção de lá me deu muita liberdade, acompanhei os caras da hora que chegaram até às cinco da manhã depois do show, perfeito. Depois, passei tudo isso para os leitores que acompanhavam o site de skate [isso mesmo] para o qual eu escrevia na época.
O engraçado disso é quando você tem que segurar o seu lado fã. Separar bem as coisas. Quando estive frente a frente com o Eddie Vedder (Pearl Jam) eu fiquei paralisada, completamente. Acho que é porque eu queria congelar o momento, mas só eu congelei. Consegui falar com os guitarristas Mike McCready e Stone Gossard, mas por que não com o Eddie???


Você é uma jornalista que conheceu diversos festivais espalhados pelo Brasil. O que você poderia destacar sobre o universo da música independente nacional?

Rico, diversificado, plural. Só tenho medo que se transforme em uma versão do mainstream, mas por hora, ainda mantém seu propósito de unir o novo à vanguarda. A união de ritmos e estilos é o que torna este cenário tão rico.

Foi maravilhoso, nesses festivais, descobrir bandas como o Violins, de Goiânia, que tem uma produção digna de primeiro mundo em seus discos. É bom ver bandas como Maldita e Ludovic, com apresentações sempre muito intensas, dividindo espaços com o Ludov, que segue uma linha mais calma. Ir pra Cuiabá e ver o Enne (BH) ou o Monno (BH) dividirem a noite com grupos como o Cabaret (RJ), Porcas Borboletas (Udia) e por ai vai.


Se hoje o rádio ou a TV que abrangem a maior parte do território nacional não descobriram esse “novo”, a culpa não é dos artistas ou dos produtores do circuito independente porque esses estão na luta. No último ano eu reduzi as viagens por estar em dois empregos. Além do jornal, trabalho também no London Pub, uma casa noturna da cidade que tem 22 anos, que eu também freqüentei na adolescência, não tanto quanto a praça [risos]. Lá, como Relações Públicas e produtora, estou aprendendo como é estar do outro lado, afinal, o foco da casa é show cover na maior parte da programação. De tempos em tempos, recebem atrações como o Terra Celta, que veio uma vez, agradou e volta em dezembro. Mas tento entrar em acordo com o chefe para não deixar de prestigiar estes festivais, porque não sei viver sem eles!

O que há de melhor na cena musical independente de Minas Gerais e, sobretudo de Uberlândia?

Em Uberlândia as coisas estão indo bem. Mas sinto falta de um pouco mais de sintonia entre as bandas. Demorou para os músicos e produtores daqui começarem a viajar e verem o que está rolando por ai. Depois disso, o festival Jambolada trouxe um novo fôlego para a cena. Sair de casa é fundamental para ter um intercâmbio e colocar o pé no chão. Quem quer se destacar tem que trabalhar duro e não é fácil. Muitas portas se fecham, mas isso não deve deter quem tem fé no seu trabalho.
A cidade tem feito uma conexão boa com Belo Horizonte, mas fora isso, desconheço uma articulação maior no estado. Além dessas cidades, Uberaba e Patos de Minas também estão articulando uma cena interessante.

Neste semestre, seis bandas de Uberlândia colocaram CDs no mercado: Mata Leão [WWW.myspace.com/bandamataleao], Krow [WWW.myspace.com/krowmetal], Dissidente! [WWW.myspace.com/bandadissidente], Cirrhosis [WWW.myspace.com/cirrhosisoldschool], Soul Stone [WWW.myspace.com/soulstonemetal] e Antena Buriti [WWW.myspace.com/antenaburiti]. Isso, só para citar algumas do segmento pop, rock, metal e alternativo, tem outras que lançaram discos recentemente também como Juanna Barbera, Antauen, Themps, e uns caras muito legais, galera nova, que deve lançar em breve o primeiro trabalho com os dois pés no hard rock old school, Killer Klowns. Também vai aparecer banda que eu esqueci de citar e vão brigar comigo; mas faz parte.

É daqui também o grande fenômeno da internet Os Seminovos [WWW.myspace.com/osseminovos], que levaram neste ano o VMB de Web Hit e venceram o “Garagem do Faustão”. Isso significa que temos um futuro mais rock and roll pela frente.

O que você admira na música independente do Pará?

Eu ainda não pude conferir os festivais daí. O que conheço ouvi por você, pela galera do Madame Saatan, do Eletrola [lembra?] e também por músicos que já se apresentaram por aí, é só elogios!

Quais foram os melhores shows que foste na tua vida?

Oh pergunta difícil essa, felizmente foram muitos! Fora Alice in Chains, Morrisey, Nirvana e Type O´Negative, eu assisti ao vivo todas as bandas que fazem parte da minha vida. E duvido que de agora em diante apareça alguma outra que balance o meu mundo. Vamos a alguns momentos inesquecíveis: o primeiro do Pearl Jam, na Pedreira, em Curitiba; o primeiro Radiohead, no Rio de Janeiro, Incubus, The Smashing Pumpkins, Motorhead, Foo Fighters, Titãs, Iggy Pop, Placebo, Kings of Leon, R.E.M., Coldplay, Nine Inch Nails, Aerosmith, Violins, Matanza, The Arcade Fire, Evanescence, Misfits, recentemente Jane´s Addiction e Faith no More, como pode ver, gosto muito de banda gringa.
Algumas são parte da trilha sonora da minha vida; aliás, esses dias criei um blog ameninaqueroubavaversos.blogspot.com. Acho que este eu vou manter. É sobre essa minha relação com música...em qualquer situação eu procuro saídas em alguma letra.


Qual o disco que te marcou?

Vou citar cinco:
Ten – Pearl Jam
Ok! Computer – Radiohead
Unplugged in New York – Nirvana
October Rust – Type O´Negative
Above – Mad Season


Fale sobre o programa Clip 15? Como podemos assisti-lo? E como está a repercussão dele?

O Clip 15 começou em 2007, se chamava Clip da Gente. A idéia era prestigiar artistas da cidade no Canal da Gente, canal 15 da TV a cabo CTBC aqui em Uberlândia [que pode ser assistido pelo WWW.canaldagente.com.br , sempre no horário de exibição do programa].
No início, tinha 10 minutos, depois passou para 15 minutos e agora estou com 26 minutos na grade. É um presente, faço porque gosto, na raça mesmo. A princípio, tinha que tocar de tudo, contanto que fosse da cidade, mas não vingaria deste jeito.
Não é preconceito, mas não é justo eu apresentar todos os estilos quando me especializo dentro do pop, rock, metal e alternativo. Os outros estilos têm seu espaço, então, esse meu tempo quero dedicar a bandas que geralmente não tem espaço em outros veículos e junto, também tocar sons mais comerciais porque, se falar que não me importo com a audiência, não estarei sendo sincera.

Gosto de misturar, então, em um programa, coloco, por exemplo, Taylos Swift e Maria Fumaça, uma banda local. É legal você mostrar ao telespectador que gosta da trilha sonora de “Crepúsculo” o que o mercado independente tem de bom. Creio que este é meu papel, trabalhar pelo rock, que faz com que eu me sinta viva, que tanto fez por mim e nunca me deixa sozinha.
Aff...falei demais hein J
Valeu pelo o espaço, grande Sidney e ao Rock Pará!

8 comentários:

Mari B. disse...

Sidney, tudo bem?
Eu sou a Mari e gostaria de apresentar a Stereologica, banda que eu toca: http://www.myspace.com/stereologica

Acho que você vai curtir!
Um abraço!

Mari B. disse...

ops... banda que eu tocO! eheheh

Edylamar Santos disse...

Ela é linda! Merece todo carinho de todos aqueles que entendem de música. Além de um talento único, Dika, como eu a chamo, é especial em todos os momentos, inclusive no jeito "moderno" de se vestir. Parabéns!

ma28_reis disse...

Ahh essa minha amiga é o máximo...Entende tudo de música..
bjos

Altair Júnior disse...

Grande Drica. Excelente entrevista. Quero ver vc na MTV ... rsrsrs. Bjão!

Marcelo Lima disse...

A Drica é um fenômeno da cultura independente. Aqui o Rock não seria o mesmo sem ela. Ela alimentou o sonho, plantou muitas sementes que deram frutos dos quais muitos se alimentam. Foram muitas histórias, muitas escolhas. Muitos se acomodariam já no começo de uma brilhante carreira como a dela, mas ela é incansável e seu trabalho não tem fim! Sua visão, mesmo depois de tanto, aponta para um infinito de realizações.
Beijos terna e eterna amiga!

Gustavo Templar disse...

Oh Little Trouble Girl. Engraçado, moro em Uberlândia e não conheço essa pessoa pessoalmente ainda, mas como vocês puderam ver na entrevista ela é foda³² mesmo.
Um beijão e parabéns querida Drica!

Drica disse...

Sidney, obrigada pelo espaço e obrigada tbém aos amigos que estão comentando...rocker hug pra vcs